Depois de vários quilómetros e entre curvas e
contra curvas onde a paisagem era só montanhas de um lado e do outro, estávamos
finalmente a chegar a Hidden Springs.

A primeira coisa que avistámos à entrada da vila
foi o ferro velho, tudo o que a vila já não queria, desde frigoríficos a
portões de garagem, desde que fosse de ferro ou de outros metais, encontrava-se
ali. Depois vinha um camião de fora e levava para a reciclagem. De vez em
quando também apareciam alguns moradores em busca de alguma coisa que ainda se
pudesse aproveitar para fazer umas engenhocas. Eu tinha uma certa admiração por
aqueles que do nada conseguiam construir alguma coisa. De repente lembrei-me do
meu tio que em horas vagas pegava um toco de madeira e esculpia animais de
madeira, eu costumava juntá-los todos numa prateleira do meu quarto.

Do lado esquerdo podíamos ver o rio que atravessava
Hidden Springs. Hidden Springs era uma vila do interior por isso não tinha mar
mas podíamos ver os barcos à vela a pescarem no rio ao longe.

Depois de passarmos por todas as pousadas e pelo
único hotel da vila estacionámos no parque do centro da vila.

Fomos à área de serviço do parque. Josephe estava
nervoso.
Joseph – Não entendo porque está tudo cheio nesta altura do
ano.
BeAz – Havemos de encontrar alguma coisa, fica
descansado.
Joseph – Vamos passar ali pelo Bistro, comemos alguma coisa
e quem sabe encontraremos alguém que nos queria alugar uma casa.

Atravessámos a rua e fomos ao Bistro. Nicholas mal
viu Joseph aproximou-se e cumprimentou-o.
Nicholas – Você por aqui, Joseph?
Joseph – Viva Nicholas! Ainda bem que te encontro! As
pousadas estão cheias e o hotel também, sabes onde poderei arranjar alguma casa
para alugar por uns dias?
Nicholas – Por uns dias é um pouco difícil, normalmente são
alugadas ao mês. Mas se é por uns dias posso ceder-te o meu quarto, não me
importo de dormir na sala.
Joseph – sorrindo – Não pode ser, desta vez não vim sozinho
e também trago um São Bernardo comigo.
Joseph apresentou-me ao seu amigo.
Nicholas – Compreendo, realmente a minha casa é bem pequena para
isso. Se souber de alguma coisa ligo-te, agora tenho de ir. Encontramo-nos por
aí.

Decidimos comer no exterior. Quando nos sentávamos
alguém passou a correr para dentro do Bistro. Eu senti um calafrio mas atribui
a sua causa à situação que estávamos a passar, pois não teríamos onde dormir
naquela vila e Joseph não quis reservar nada porque achou desnecessário e agora
sentia-se culpado por isso.

Confesso que também estava preocupada, se fosse
assim teríamos de abalar e fazer uma viagem durante a noite para outra cidade e
eu ficaria sem conhecer Hidden Springs. Mas tentei tranquilizar Joseph na
mesma.

Conversávamos enquanto a pessoa que entrou a correr
estava agora a sair do Bistro mas parou e ficou especado a olhar para nós
durante algum tempo.
Aníbal poisou o prato numa mesa e veio até nós.
Aníbal – Mam!
Levantei-me num salto e gritei – Aníbal – dei-lhe
um abraço bem apertado. Estava completamente pasmada por ele estar ali e ao
mesmo tempo muito feliz.
BeAz – Mas querido, agora conta-me como vieste aqui parar?
Aníbal – Este ano destacaram-me para esta vila, estavam a
precisar de um médico com bastante urgência.
BeAz – Então e Ré e Dudu?
Aníbal – Estão ótimos, vou a casa todos os fins-de-semana.
BeAz – Isso é um pouco duro, não achas?
Joseph – Importam-se de me explicar o que se está passando?
Apresentei com orgulho Aníbal a Joseph e Joseph a
Aníbal.
Joseph – Como eu não dei logo por ela? Olhando assim na sua
cara é bem a cara de sua mãe. Muito gosto em conhecer-te!
Aníbal – Sempre quis conhecer quem anda viajando por essas
terras fora com minha mãe. Como o mundo é pequeno e as coisas não acontecem por
acaso.
Aníbal – Então digam lá, onde se vão hospedar?
BeAz – Bem, isso está um pouco difícil, pois não há onde
ficarmos.
Aníbal – Ah, mas se isso era um problema, já não é mais,
ficarão lá em minha casa, é suficientemente grande para todos.
Joseph – Mesmo para Rufus?
Aníbal – Sim, mesmo para Rufus, que deve ser aquele
cãozinho que me veio cheirar mal me viu.
Chegámos a casa de Aníbal.
Aníbal – Venham, não façam cerimónia, vão ver que até tenho
um prato de comida pronta para o Rufus.
A casa que Aníbal alugara era uma casinha rustica
muito linda, eu adorava aquele tipo de casinhas.
Aníbal – Vou mostrar-vos a casa. Aqui é a sala com kitchenet.
Rufus mal entrou atirou-se logo ao prato de comida.
BeAz – Muito acolhedora. Como você tem um prato de comida,
tem algum animal?
Aníbal – Não, alguns cães e gatos é que aparecem por aí e
eu afeiçoo-me a eles e dou-lhes de comer.
Aníbal – este é o quarto onde eu durmo, lembra que eu sempre
gostei de verde, mãe?
BeAz – Então não lembro?
Aníbal – Este é o quarto que tenho disponível para vocês,
está bom?
BeAz – Para mim está ótimo.
Joseph – Está muito bom, já é uma grande ajuda.
BeAz – Filhote, porque ias a correr para dentro do Bistro?
Aníbal – Além de estar esfomeado, tenho um encontro de
amigos agora à noite, se quiserem vir… por falar nisso o prato ficou lá, em
cima de uma mesa e nem comi.
BeAz – Nós estamos cansados da viagem mas podemos dar lá
um salto mas viremos cedo para descansar.
Aníbal – Está bem, podem ir arrumando as malas enquanto eu
dou uma espreitadela no frigorífico para petiscar alguma coisa.
Enquanto Aníbal comia Rufus já dormia no tapete da
sala.
O lugar era lindo! Dançámos um pouco e depois fomos
beber um copo. Estávamos cansados por isso não ficámos mais tempo. Aníbal ainda
ficou mais um pouco com os amigos.






















































