19/08/2011

Capítulo 02 – Sunset Valley - Visita a Cris







No dia seguinte fui a primeira a acordar. Meu corpo estava dorido por ter dormido naquele saco cama. Dirigi-me à casa de banho para me arrumar mas aquela banheira tão bem decorada estava a chamar por mim. Acendi a vela e tomei um relaxante banho de espuma.










 A limusina que ia levar Ré chegou e buzinou. Ré acordou assarapantada e enfiou o vestido que tinha deixado aos pés da cama, pegou na mala de viagem e desceu as escadas a correr. Meg e Gu não deram por ela, continuaram no sono pesado. E eu acho que adormeci por momentos naquela banheira. Antes de passar a porta da rua Ré escreve um bilhete “Adeus a todos! Vou para a Escola Preparatória de Smuggsworth! Não se esqueçam de me telefonar enquanto eu estou fora! Posso estar longe mas ainda sou vossa filha.”








Q


Quando saí da banheira e fui para o quarto me arrumar reparei que Ré já tinha partido. Mesmo assim não acordei o casal, pois ontem deitámo-nos tarde. Segui para a cozinha para preparar umas panquecas.










Passado meia hora eu já escutava Meg e Gu a descerem as escadas:





Meg – Vida, como você se foi deixar dormir e não me acordou para despedir de Ré?





Gu coçou a cabeça e respondeu:





Gu – Amor, eu tinha falado ontem para virmos cedo, você insistiu para ficar até tarde.


Meg – Vida, eu não podia virar as costas a Bessie, ela cuidou de Ré enquanto eu estive trabalhando, você esqueceu? Ela pediu muito que levasse lá a Ré, tinha receio que não voltar a vê-la, coitada!












Antes que a coisa esfriasse chamei para o pequeno-almoço.





BeAz – Meg, hoje vou visitar a Cris, você vem?


Meg – Não, eu depois passarei lá noutro dia, tenho umas coisas para fazer, obrigada.


Gu – Você cozinha bem, Bé!


BeAz – Obrigada, esta receita é da minha avó!


Meg – Por acaso está insinuando que eu cozinho mal, vida?


Gu – Não, não amor! Você também cozinha muito bem, não é Bé?


BeAz – Sim, sim, os cachorros estão sempre ótimos, as vezes que são confeccionados, já deu para acertar o tempero! Bem, agora vou me retirar, alguma coisa, eu ligarei. Até mais!












Dei várias voltas ao quarteirão batendo à porta de casa da Cris, já estava a anoitecer e eu esfomeada pensando em desistir, quando a Cris aparece a correr.





Cris – Me desculpe menina! Estava sentada no Parque Central pensando na vida quando de repente lembrei que você tinha ligado dizendo que vinha hoje me visitar.










Cris não deixou eu saltar para o fogão, foi ao quarto trocar de roupa e desceu para a cozinha:





Cris – Num instante eu faço aqui uma saladinha de legumes. É melhor você ficar cá a dormir, assim teremos mais tempo para conversar.


BeAz – Tem razão Crisa esta hora já deve estar preocupada com a minha demora.










BeAz – A salada está ótima, Cris!


Cris – Obrigada! Mas me conta, o que te trouxe cá?


Beaz – Cris, você sabe o que aconteceu com René, certo? Nunca mais ninguém lhe pôs a vista em cima, ninguém sabe se está vivo ou morto. E agora com os meus filhos na Faculdade eu estava a sentir-me muito só quando me lembrei de vocês e dos tempos passados em que andámos juntas. Recordei todas aquelas travessuras de infância e me deu saudade. Você lembra Cris?


Cris – Se lembro! Você lembra daquela vez que assaltámos a escola e ficámos lá fechadas? Meg, quase morreu de medo!


BeAz – Essa foi boa sim, quase desmaiamos quando apareceu o Diretor no dia seguinte! Hahaha…










A noite arrefeceu e Cris ligou a lareira.





BeAz – Você tem aqui uma linda casa, Cris!


Cris – Pana ser alugada. Acho que pertenceu a uma família muito rica e célebre, a única descendente está em Inglaterra, alugou a casa para não ficar ao abandono. Assim, quando quiser voltar terá sempre onde ficar.











Cris – Então e agora, o que você pensa fazer da sua vida?


BeAz – Bem Cris, era sobre isso que eu queria falar com você. Sei que tem que voltar para Bridgeport em breve e eu precisava que me deixasse ficar aqui uns tempos porque queria ver aí uns terrenos onde pudesse mandar construir uma casa a meu gosto com o dinheiro que recebi da casa e da loja, pois pretendo ficar o resto da vida por aqui. Depois arranjarei algo para fazer, não sei bem ainda o quê, mas já estava farta da loja e de todo aquele trabalho que dá ter sempre modelos dentro da moda, uma vez que está sempre a mudar e eu tinha que estar a criar sempre modelos novos para ficar por dentro da maldita moda. Não imagina o trabalho e gasto pessoal que aquilo é, Cris! Recebi muitos prémios honrosos mas cansei. Agora queria fazer algo diferente mas primeiro está a casa. E você Cris?












Cris – Nem te digo nem te conto menina! As audiências sobem de dia para dia, já fui chamada para mais filmagens, tenho de regressar o mais rápido possível para Bridge. E claro que você pode ficar aqui o tempo que precisar, faça de conta que a casa é sua mas não abuse. Bem, agora vamos deitar, vou mostrar o quarto onde você pode ficar.













O quarto estava um pouco vazio mas eu nem queria saber, logo que tivesse uma cama confortável, para mim chegava, não fosse eu ter de dormir de novo num saco cama!