07/10/2011

Capítulo 08 – Visita a Cris em Bridgeport










Encontrámos finalmente o apartamento da Cris mas parece que ela não ficou muito contente com a nossa visita.





Cris – Não estou feliz nem triste por vocês terem vindo, não precisavam de se incomodar.


BeAz – Mas Cris, seu telefonema nos deixou preocupada, como amigas que somos sentimo-nos na obrigação de vir.


Meg – Alguma coisa se passa com você Cris, eu sinto isso. Basta olhar para esta casa e ela diz tudo. Você está num condomínio fechado de luxo, tem piscina e tudo, deve estar a pagar um dinheirão. Mas olhe à sua volta e veja! Sua casa está numa lástima.











Cris – Menina, você não compreende o que é ser famosa no mundo do cinema. Não há tempo para nós mesmas, não há tempo para as nossas coisas, tenho o tempo super ocupado com as gravações.


BeAz – Mas Cris, porque não contrata uma empregada para manter esta casa organizada?


Cris (se desculpando) – Mas eu lá tenho confiança nessas empregadinhas? Estimo muito as minhas coisas para que mas estraguem.


Meg – Pode deixar Cris, vou aproveitar estes dias para dar um jeito em sua casa, não se preocupe.











Meg – Darei algum jeito na mobília e acrescentarei alguma decoração.


Cris – Vejam lá o que vão fazer mas desde já que eu estou fora no que respeita a gastar dinheiro com essas alterações. Bem, agora tenho de ir. Não posso chegar atrasada para as filmagens da nova cena.











Enquanto Cris foi para as gravações eu ajudei Meg a iniciar as alterações. Primeiramente tínhamos de arranjar sítio onde as três pudéssemos dormir mas a casa de Cris era tão acanhada que eu acabei por dormir num saco cama, como tinha dito antes que não me importava de o fazer se fosse necessário.


Quando Cris chegou eu já tinha preparado o jantar enquanto Meg acabava uns pequenos ajustes na casa. Sentamo-nos a jantar no meio de poucas palavras. Cris quase não falava sobre o trabalho e nem opinião deu sobre a nova aparência de sua casa. Meg estava cansada e também não falou, esperando que Cris dissesse alguma coisa. Eu limitei-me a observá-las, tive receio de puxar algum assunto pois as relações entre ambas não estavam muito boas e eu me sentia entre a espada e a parede no meio delas, então preferi ficar caladinha no meu canto pois eu adorava as duas como melhores amigas.


Enquanto dormíamos Cris moía, sonhando, sobre as alterações na sua casa pois estava ciente que não daria nem um tostão. Meg sonhava com as saudades que já tinha da sua casa e da sua família, chegando à conclusão que não foi ali fazer nada. Eu simplesmente aterrei e não sonhei com nada.











De manhã acordei toda dorida e ao queixar-me acordei a Cris que pensara que já estava atrasada para uma gravação especial e por isso já imaginada ter de pedir desculpas ao seu patrão de joelhos.











Meg, foi a ultima a levantar e começou por fazer as camas.











Eu fui para a cozinha preparar o pequeno-almoço antes que a Cris resolvesse sair sem comer nada.











Cris tomava banho e se preparava para sair, pois tinha de estar nas gravações às 8h sem falta.











BeAz – Cris, você está muito bonita, podemos saber o que vai gravar hoje?


Cris – Ué? A mesma coisa de sempre, você não sabe que eu gravo novela?


Meg – Não está esquecendo nada Cris?


Cris – O que você está querendo dizer, Meg?


Meg – Pelo que ouvi dizer você aceitou fazer um comercial, por acas não é para onde está indo?


Cris – Mas eu sou lá pessoa de aceitar entrar em qualquer comercial aí? Nem que eu estivesse muito mal de finanças!











BeAz – Veja lá Cris! Se precisar de alguma coisa, estamos aqui para ajudar.


Cris – Já disse que não preciso de nada e que aquele telefonema foi só um mal entendido, eu estou muito bem. Quando quiserem já podem regressar às suas casas, não é Meg? Você não deveria deixar o Gu assim sozinho. E você Be, não tem a sua construção para vigiar?











Meg – Olhe que você é mesmo mal agradecida Cris! Pois fique sabendo que eu vou embora já hoje, não se preocupe que quando voltar eu já não estarei.


Cris – Boa viajem minha filha, e olhe, avise o Gu que está chegando para não ter nenhuma surpresa.











Cris levantou e saiu.





Cris – Até logo, para quem estiver quando eu voltar.











Depois de arrumarmos a cozinha Meg fez as malas e fomos até à esplanada.





Meg – Então Be e você? O que está pensando fazer da sua vida?


BeAz – Ainda não sei mas o principal é arranjar alguma coisa para fazer. Alguma coisa que goste. E você Meg? O que está a pensar fazer de inovador? O nosso neto já está crescido e apesar de fazer muitas traquinices já sabe cuidar bem dele.











Meg – Bem, eu estou organizando as coisas para fazer uma volta ao mundo com Gu, já está na hora de termos um tempo para só nós longe daquele alvoroço lá de casa.











Da parte da tarde ajudei a Meg a levar as malas até ao metro e depois fomos fazer horas para a sua partida num jardim ali perto.





BeAz – Meg tem a certeza que quer mesmo ir embora?


Meg – Absoluta! Você acha que eu sou pessoa de ficar aí ouvindo absurdos da boca da minha melhor amiga?


Beaz – Pois é isso que me preocupa. Cris no seu estado normal não agiria dessa forma. O seu estado me diz que algo está a deixá-la nervosa por isso atua dessa forma.











Meg – Para mim isso não é desculpa para nos tratar dessa maneira. Mas me diga, Be, como vão as obras lá em casa?


BeAz – Se quer que lhe diga nem sei, quando vim, estavam a começar. Fiquei de passar lá a meio da semana mas como você sabe não deu.











BeAz – Mas como você deve imaginar, eu estou ansiosa que essa casa esteja acabada, pois não vejo a hora de estar na minha própria casa.


Meg – Se eu fosse a você não ficaria por aqui por muito mais tempo, Cris sabe se virar sozinha e não merece a nossa preocupação.











BeAz – Você pode até ter razão mas eu prefiro ficar por mais alguns dias.


Meg – Tudo bem, você é quem sabe. Vamos? Parece que está chegando a hora de eu partir.











BeAz – Meg, faça uma boa viagem! E se puder dê um salto a minha casa e veja como estão correndo as obras.


Meg – Pode deixar Bé!











Nos despedimos com um abraço. E eu fiquei a vê-la até o metro partir.











Ao jantar com a Cris depois da Meg se ter ido embora:





Cris – Meg sempre foi?


BeAz – Sim e muito triste com sua atitude. Ela fez tudo por preocupação, queira ou não você acreditar, nós somos suas amigas.


Cris – Aff!











BeAz – E aí Cris, como correram as gravações?


Cris – Correram bem, como sempre. Mas o pior é as audiências que são poucas.











BeAz – Cris, já que não tenho nada para fazer por aqui poderia ir amanhã com você assistir às gravações.


Cris – Nem pensar menina! Aquilo é um tédio desgraçado. Vá dar uma volta pela cidade, sempre tem mais que fazer.


BeAz – Credo Cris! Já se esqueceu que tenho muitas recordações desta cidade? E não são as melhores, pois foi aqui que vi René pela última vez, esqueceu?











Deitámo-nos cedo pois Cris levantava-se com as galinhas. O curioso é que adormecemos logo a seguir.











Fui a primeira a levantar-me. Arrumei-me, fui ver o correio, preparei o pequeno-almoço e sentei-me a ler à espera da Cris.





Cris – Madrugou e está pronta para sair. Posso saber onde vai, menina?


BeAz – Ué! Esqueceu que eu me ofereci para ir com você? Não a quero atrasar, já tem o pequeno-almoço pronto.


Cris – Não insista! Já disse que será um tédio para você por isso não vou levá-la comigo, está fora de questão.











Achava muito estranho a Cris não querer que eu a acompanha-se. Teria ela alguma coisa para me esconder?





Cris – Você não está preocupada com a construção da sua casa, acho que deveria vigiar isso de perto ainda lhe sairá o tiro pela culatra.


BeAz – Preocupada não estou pois Meg está por perto vigiando mas estou um pouco ansiosa por ter o meu canto. E além disso os pequenos devem logo regressar da faculdade. 











BeAz – Olha Cris, tem aí a sua correspondência. Uma das cartas é da Meg, deve ser o tal cheque que ela disse que enviava para o pagamento da mobília.


Cris (disfarçando) – Obrigada, mas não precisava ir buscar o meu correio, sempre pego ele quando saio, para a próxima não se preocupe em ir buscá-lo.


BeAz – Qual é Cris? Não me custou nada fazê-lo.


Cris – Mas eu faço questão de ser eu a pegar o meu correio, ok?











Mal a Cris saiu eu saí atrás dela sem ela se aperceber e seguia até aos Estúdios. Depois de toda aprontada Cris saiu com uns indivíduos que iam carregados com uns máquinas de filmar. Continuei a segui-los.











Meg tinha razão Cris estava fazendo um comercial.











Porque razão queria ela esconder isso de nós? Eu estava surpreendida e sem palavras que o justificasse.