No dia seguinte, logo de manhazinha, apanhei a
Dulce a fazer o pequeno-almoço e Joseph entretido com Rufus e fui até ao pátio
fazer uma chamada.
BeAz – Osmar? És tu?
Osmar – Sim, sim, já vi que é BeAz, tudo bem? Onde está?
Continua a viajar com o célebre Joseph?
BeAz – Célebre? Porquê célebre?
Osmar – Já vi que ele não falou nada, faça de conta que
não ouviu nada. E então? Porque me telefona?
BeAz – Sim, eu continuo a viajar com Joseph, neste
momento estou envolvida com ele, sabe como é, apaixonada e muito mimada. Bem,
como está Balin? E Misty apareceu?
Osmar – Balin está ótima, também se envolveu com Diamante,
mas para já nada de filhotes mas Misty nunca mais apareceu, já perguntei e
ninguém viu rasto dela. Mas conta-me mais de vocês.
BeAz – Bem, a razão de meu telefonema é Dulce.
Osmar – Dulce? Você sabe alguma coisa dela? Aconteceu alguma
coisa? Ela está bem?
BeAz – Calma, calma Osmar! Ela está bem sim.
Osmar – Onde, onde!
BeAz – Eu disse para teres calma. Ela está aqui connosco,
ou melhor dizendo, nós estamos aqui com ela, hospedados na casa dela em lagos
Lunares. Joseph sabia o tempo todo onde ela estava.
Osmar – Burro, burro, burro, porque sempre me inibi de perguntar
para ele? Tantos anos de boca calada sem nunca me prenunciar acerca dela e ela
tão perto de Joseph. Mas me diz, Beaz, onde fica Lagos Lunares? Não me vais
dizer que é na lua, pois não?
BeAz – Não Osmar! E também não vou dizer pegares no teu
carro e ligares o GPS, primeiro não tens GPS e segundo muito menos carro. Mas compra
um mapa, que pelo menos isso deve vender por aí, vai na zona de Lunares e no
canto superior direito encontrarás Lagos lunares, eu dou-te o endereço da casa.
Osmar – Partirei ainda hoje!
BeAz – Vens para cá?
Osmar – Depois destes anos todos à espera de saber onde
Dulce estava, para onde queres que eu vá?
BeAz – Sim mas… assim, tão rápido? E Balin e Diamante?
Osmar – Não te preocupes, eles ficaram bem entregues ao
meu capataz, esqueceste que agora sou dono de uma propriedade graças a Joseph?
BeAz – Não, não! Boa viagem, então, cá te espero.

BeAz – Hoje está um dia lindo, podíamos fazer uma festa à
volta da piscina, o que acham?
Dulce – Era uma boa ideia mas não tenho nada preparado
para isso.
BeAz – Não te preocupes, eu e Joseph, tratamos dos
preparativos enquanto tomas conta de Rufus, pode ser?
Joseph – Eu e tu, vamos às compras?
BeAz – Sim, qual o problema?
Dulce – Cá por mim não me importo nada.
Joseph – Ah, eu também não, mas quem vais convidar, não
conheces ninguém aqui nas redondezas?
BeAz – Isso também não é problema, como tu és muito
conhecido, quando formos às compras e te vierem cumprimentar ou pedir autógrafos,
tu aproveitas e convidas para a festa, assim também fico a conhecer todos os
teus amigos.
Joseph – Estás a insinuar alguma coisa?
Beaz – Não, não, apenas a dizer a verdade!

Não foi preciso muito, mal chegámos à mercearia
Galática, logo uma lambisgoia se aproximou de Joseph lhe pedindo um autógrafo. Confesso
que já estava a ficar cansada dos seus inúmeros conhecimentos e o que Osmar
dissera me pôs a pensar, “célebre Joseph”?

À medida que as pessoas iam chegando à mercearia
Joseph ia falando com elas anunciando a festa.

Quando dei por ela, a porta da mercearia estava
cheia. Foi aí que lembrei que tinha esquecido de comprar a comida para Rufus e
voltei a entrar no mercado.

Depois nos distanciamos e fomos sentar no Parque da
Penumbra.
Joseph – BeAz, podes-me explicar a razão desta festa
repentina? Vamos comemorar alguma coisa? Alguém faz anos? Não pois não?
BeAz – E por acaso só se faz festa para comemorar alguma
coisa ou mesmo quando se faz anos?
Joseph – Não propriamente!
BeAz – Então é essa a situação. Não propriamente, por
isso, vamos fazer uma festa para reunir os amigos.
Joseph – Mas BeAz, estas pessoas não são amigos, são apenas
conhecidos, podem até nem aparecer na festa.
BeAz – Não faz mal, alguém especial há-de aparecer.
Joseph – Como assim?
Deixei Joseph com a pergunta por responder, não
sabia se deveria dizer ou não mas por outro lado, sentia-me empolgada em
guardar o segredo, seria uma surpresa para os dois se Osmar aparecesse por ali,
no meio da festa.

Puxei Joseph para mim
BeAz – Vem cá e diz que me amas!
Joseph – Sabes bem que te amo, por isso terás de me aturar
até ao final dos meus dias pois nunca mais te afastarás de mim porque eu não
vou deixar.
BeAz – Isso é o quê? Um pedido de namoro?
Joseph – Mais do que isso, um compromisso!

Quando chegámos a casa, Joseph foi preparar as
bebidas e pôr a mesa para o banquete mal terminou chegaram os primeiros
convidados. Fiquei feliz por vê-los chegar, era sinal que iria haver festa.

Dulce agradecia a Joseph, já há muito que não via a
sua casa tão animada.
Joseph – Agradeça a BeAz, a ideia foi dela.
Dulce – Sim tens razão.
Depois de um mergulho na piscina foi tudo dar ao
dente depois de eu anunciar que os cachorros estavam prontos. Sim, essa parte
sobrou para mim, nem um mergulho dei, mas a noite ainda não tinha acabado. O
que me preocupava mais era que o Osmar ainda não tinha chegado. Porque demorava
tanto? Será que vinha mesmo?
A festa acabou, já eram poucos os convidados que
restavam. Eu olhava para tudo aquilo desarrumado e Osmar sem chegar. Valera a
pena tanto trabalho?
Já passava da meia-noite, Joseph tentava animar-me
puxando-me para dançar enquanto Dulce arrumava aquela bagunçada toda. Ela
estava feliz, eu é que estava triste, pois não sabia se alguma coisa tinha
acontecido a Osmar.
Dulce estava na cozinha e nós já estávamos a pensar
ir deitar quando ouvimos uma voz que logo reconhecemos.
Osmar – Posso?
Joseph – Osmar!?
Osmar fica feliz por me ver, é sinal que deu com a
casa.
BeAz – Nossa! Osmar, pregaste-me cá um susto, pensei que
te tinhas perdido.
Osmar – Andei um pouco às voltas para dar com a casa mas
cá estou.
Joseph – Sabias que ele vinha?
BeAz – Sim, fui eu que o convidei.
Joseph – Sim, estou a entender, então era Osmar alguém
especial que deveria aparecer na festa, vou chamar a Dulce. Mas antes dá cá um
abraço apertado.
Dulce chega bem perto de Osmar, fixa os olhos
aguados nos nele durante uns segundos e só depois consegue dizer alguma coisa.
Dulce – Osmar!?
Osmar – Dulce? Estás linda, como sempre foste!
Eu e Joseph nos afastámos, deixando os dois à
vontade.
A vontade de Osmar era agarrar Dulce nos braços e
beijá-la mas ele sabia que tinha de ir com calma, pois não sabia se os
sentimentos de Dulce eram os mesmos que ele sentia.
Osmar – Pega, estas flores são para ti, espero que gostes!
Dulce – Adoro flores! Estas são vermelhas, a cor do amor!
Osmar – Dulce, tenho de te dizer uma coisa. Tenho sofrido estes
anos todos para te encontrar, foi por isso que fiz estes quilómetros todos até
aqui, para recuperar o teu amor e encher-te de felicidade com o meu. Nunca te
esqueci nem nunca me entreguei a ninguém na esperança de um dia poder disfrutar
contigo todo o amor que guardo neste peito.
Dulce abraça Osmar e ambos de lágrimas no canto do
olho recordam o quanto foram felizes um dia quando adolescentes. Não há amor
como o primeiro, já dizia a minha avó.
De seguida Osmar arrisca beijar Dulce e seu coração
palpita de felicidade ao sentir que é correspondido.
Nisto aproxima-se Gaga e cheira Dulce.
Osmar – Desculpa, com a emoção ia esquecendo, Esta é a
Gaga, um presente para você!
Dulce – Mais um presente? Ela é muito linda, obrigada!
Dulce pega na Gaga e convida Osmar a entrar, vai
atá ao quarto e poisa Gaga.
Dulce – Hoje vais ficar aqui, amanhã arranjarei um sítio
para teres a sua caminha.
Osmar foi à casa de banho e quando regressou
encontrou Dulce a dormir em cima da cama. Gaga também estava cansada da viagem
e adormeceu no tapete do quarto.
Osmar desceu à procura da cozinha para comer alguma
coisa, quando descobriu viu também pratos sujos no chão que eram da festa,
lavou-os e arrumou o resto da cozinha.
Ainda encontrou alguns cachorros no frigorífico e
comeu um deles.
Quando Osmar subiu, Dulce continuava a dormir, ele
tapou-a e foi tomar um duche.
Antes de se deitar, Osmar ficou uns minutos a olhar
Dulce. Sim era verdade, não era nenhum sonho não, ele estava ali mesmo olhando
o amor da sua vida. Sim já sentira o seu cheiro e já a sentira nos seus braços,
como já há muito o desejara. Estava feliz!
E feliz adormecera sabendo que não era apenas mais
um dos seus sonhos desejados realidade.



















