Joseph teve de sair cedo, eu iria aproveitar para
fazer umas compras. Begónia acompanhou-me à garagem enquanto falávamos da nova
decoração da casa que Begónia já tinha providenciado.
Joseph deixou-me ficar o carro para eu não ir a pé.
Primeiro passaria em cada de Dulce para ver como estavam todos, já tinha
saudades de ver a pequerrucha.
Assim que cheguei o meu telefone tocou:
BeAz – Sim?
Joseph – Estou, amor? Está tudo bem?
BeAz – Sims, acabei de chegar a casa da Dulce, e contigo?
Joseph – Está tudo bem sim, não foste a pé, pois não,
deixei-te o carro!
BeAz – Sim eu sei Begónia lembrou-me.
Joseph – Estou um pouco ocupado mas vou tentar chegar cedo,
se precisares de alguma coisa liga, está bem?
BeAz – Sim, com certeza. Beijinho!
Joseph – Beijinho, amor, amo-te muito!
Ao mesmo tempo que pensava o tão gentil que Joseph
era para mim também pensava se seria ali mesmo que tínhamos deixado a Dulce há
uns dias atrás. A casa era linda! Também pensei o que estariam aqueles cachorrinhos
tão pequeninos a fazer ali.
Subia as escadas, toquei à campainha e me afastei
até ao repuxo de água. Osmar veio abrir-me a porta, estava vestido todo a
rigor.
Osmar – Bons olhos te vejam BeAz, o que te trás por aqui?
BeAz – Preciso fazer umas compras e então lembrei de
passar por aqui para ver como vocês estavam.
Osmar convidou-me a entrar.
Entretanto apareceu Dulce com Gaga e outro
cachorrinho. Dei um abraço a Dulce.
BeAz – Tudo bem Dulce? Como está Sofia?
Dulce – Sofia está cada vez mais esperta, olha para todo o
lado e já levanta a cabeça quando ouve algum barulho, é uma curiosa.
BeAz – E Gaga? Está tudo bem com ela?
Dulce – Gaga arranjou-me uma data de cachorrinhos, a
Tiffany, o Maynard e a Ursa, todos parecidos com ela menos a Ursa que é branca
e castanha. Quando chegámos aqui é que descobrimos que Gaga estava prenha pelo
inchaço da sua barriga, ficámos com receio de alguma doença e fomos ao
veterinário com ela.
BeAz – Ainda bem que estava apenas prenha, do mal, o
menos!
Dulce levou-me até ao quarto de Sofia que palrava
sozinha na sua caminha. Pequei delicadamente nela e aconcheguei-a. Já não me
sentia habituada a estas coisas. Estava mais pesada desde a última vez que
tinha pegado nela. Sofia arrarou os meus cabelos com muita força. Como era
possível, um ser tão pequenino ter tanta força? – pensava eu.
Quando desci as escadas estava uma pessoa à minha
espera para me tirar uma foto. Não entendi porque o empregado da Dulce me quis
tirar uma foto. Dulce falou que era por eu andar com Joseph e por ele ser
famoso mas não quis adiantar mais nada.
Peguei num dos cachorrinhos, a Ursa, os tons de
castanho e o focinhito dela eram muito parecidos com os do Rufus, seria ele o
pai?
Convidei Dulce estava linda e pronta para sair,
convidei-a então para almoçarmos no Café Guitarra em V. Dulce deixou Sofia com
Osmar e saímos.
Quando chegámos eu não hesitei em entrar.
BeAz – Vamos Dulce, você não tem fome?
Dulce – Eu nunca tenho fome mas vamos, vamos!
Quando saí deparei com alguém deitado num saco
cama. Quem seria e o que estaria ali a fazer? Algum pedinte?
BeAz – Gu, és mesmo tu? Não estarei enganada?
Gustavo virou a cara na tentativa de eu não o
reconhecer.
BeAz – Claro que és tu! O que estava a fazer dentro de um
saco cama aqui no meio da praça?
Gustavo – Bem, eu… eu estava experimentando ele, é isso,
acabei de comprar e estava experimentando.
BeAz – Mas logo aqui? Não tem casa não para experimentar
um saco cama?
Gustavo – E por acaso um saco cama experimenta-se em casa?
Não é por acaso para acampar?
BeAz – Estavas a acampar?
Gustavo – Não! Não! Estava mesmo querendo experimentar em
chão duro.
BeAz – Mudemos de assunto. Vocês estão aqui a passar
férias?
Gustavo – Não, nós mudámos para cá.
BeAz – Ah, então vou querer ver a Meg! Saudades dela!
Na chegada
BeAz – É aqui que vocês moram? Que casa linda! E retirada
do centro da cidade, mesmo como Meg gosta!
Gustavo – Sim! Vamos entrar?
Subi as escadas e segui até à porta. Ao sentir a
falta do ruido das passadas de Gustavo voltei-me. Não queria acreditar, Gu
tinha caído redondo no chão a dormir. Estaria ele bem? Pensei eu. Mas sim, ele
estava nitidamente a dormir. O que se teria acontecido? Teria ele passado a
noite fora de casa e só chegara agora? Ou teria ele saído e estava com um
ataque de alzheimer? Não isso não poderia ser, pois ele trouxe-me até aqui.
Rapidamente senti-me apavorada. O que eu faço? Pensava eu.
Corri de imediato gritando pelo Gustavo.
Gustavo – Ai! Ai! Estou aqui! Acho que tropecei! Mas estou
bem! Eu estou bem! Já estou levantando!
BeAz – Então Gu, como fez isso? De certeza que estás bem?
Gustavo levantou-se sem me responder, abriu a
porta, deu-me passagem para eu entrar primeiro mas depois passou pela minha
frente a correr. Eu segui-o mas quando vi que ele entrou numa casa de banho,
parei. Fiquei sem o que fazer, voltava para onde tinha vindo ou deveria ficar
naquela divisão? Poucos minutos depois ouvi o autoclismo mas continuava
estática.
Segundos depois ouvi uns passos e voltei-me:
BeAz – Meg?
Meg – Surpreendida? Quem havia de ser?
Gustavo sai da casa de banho.
Meg – Por acaso está vindo da casa de banho também?
BeAz – Não Meg! Por amor de Deus, vais pensar isso de
mim?
Meg – Mas o que é que eu estou pensando?
Meg dá uma valente gargalhada:
Meg – O que faz por aqui, amiga?
BeAz – Eu estou a viver aqui nesta cidade e Gustavo já me
disse que vocês também mudaram para cá.
Meg – Sim é verdade, que bom, nos encontrarmos de novo,
como este mundo é pequeno! Como encontrou Gustavo? Passei horas à sua procura.
BeAz – Meg, é melhor nos sentarmos.
Dei alguns passos mas Meg interrompeu-me:
Meg – Se tem alguma coisa de importante para me dizer
diga logo, não preciso de me sentar.
BeAz – Meg, não quero assustar-te mas Gustavo não me
parece bem.
Meg – Então porquê?
Meg escutava atentamente:
BeAz – Eu encontrei Gustavo a dormir num saco cama no meio
da praça.
Meg – Como assim Bé?
BeAz – É isso que te falei.
Como tínhamos visto Gustavo passar para o quintal,
fomos ter com ele mas quando chegámos lá estava ele dormindo no saco cama no
chão.
Meg – Isto não é normal. Nós saímos, fomos ao parque de
diversão, entretanto nos desencontrámos, dei umas voltas e não mais o vi,
pensei que ele ao não me encontrar regressaria a casa, aí tínhamos a certeza
que nos encontrávamos. Acabei por me deitar esperando que ele chegasse, acabei
adormecendo. Hoje cedo levantei e ele não estava, saí para voltar a procurar
mas sem êxito. Agora quando cheguei, como ele estava fiquei tranquila. Mas…
Gustavo acordou com as nossas vozes e levantou.
BeAz – Bem, amiga, vocês têm que conversar, deixo-vos à
vontade e vou indo. A gente se vê por aí.
Dei um abraço a Meg e fui para casa.
Quando cheguei a casa Joseph esperava-me à porta,
deu-me um abraço e perguntou se estava tudo bem. Eu disse-lhe que depois
conversávamos. Depois Joseph encaminhou-me para a garagem.
Joseph pegou-me na mão e entregou-me uma chaves.
Joseph – Gostas? Assim já não precisas de usar o meu carro e
podes andar à vontade.
Eu fiquei hilariante, não por não poder comprar um
carro mas sim pelo gesto dele. O carro era lido!
Saltei para o colo dele, agradeci-lhe e dei-lhe um
beijo demorado.
Begónia chamou-nos para jantar. Antes de começar a
comer dei uma olhada em volta da sala.
BeAz – Begónia, já decorou a sala, ficou linda! Mas não ia
começar pelos quartos?
Begónia – Sim, também já estão. E a sala e a cozinha também,
depois pode dar uma olhada.
BeAz – Ah, hoje não que estou cansadíssima mas amanhã
prometo, assim que Joseph sair.
Enquanto Joseph foi tomar banho ajudei begónia a
arrumar a cozinha.
BeAz – Begónia, a cozinha ficou linda, adorei, antes tinha
poucos móveis, eu adoro uma cozinha cheia de móveis, gosto de ter onde arrumar
as coisas.
Begónia riu-se da sala ao ouvir os meus gritos.
Adorei a decoração do quarto, estava muito
acolhedor, tinha até um cantinho com uma secretária para eu escrever os meus
livros. Era isso que eu tencionava fazer dali para a frente já que passava os
dias em casa sozinha. Fui tomar um duche e fomos descansar.





























