Joseph levantou-se à hora do costume e dirigiu-se à
cómoda para tirar a roupa que iria vestir naquele dia, eu levantei-me também e
segui-lhe os passos.
BeAz – Amor, posso falar contigo?
Joseph – Mas é tão cedo, não queres falar depois?
BeAz – Não, amor, tem de ser agora.
Joseph puxou-me para o sofá do quarto.
Joseph – Vem cá. Senta aqui. O que se passa? Tás grávida?
BeAz – Grávida? Eu? Depois de já ter filhos crescidos? Eu
lá tenho paciência para criar mais filhos?
Joseph – Então? Algum problema de saúde te preocupa?
BeAz – Credo! Só pensas em coisas más. Se me deixares
falar eu direi o que se passa.
Joseph – Pronto, sou todo ouvidos.
Eu suspirei, fechei os olhos e respirei fundo.
BeAz – Bem, eu não sei bem como começar.
Joseph – Começa pelo princípio, talvez…
BeAz – Bem, eu me interroguei várias vezes sobre o teu
trabalho. Esperei que me dissesses ou até que surgisse em conversa e até agora
nada, não sei o que fazes. Sei que és famoso, pois toda a gente te conhece nas
ruas mas o que fazes? Não quero que penses que me estou a meter na tua vida, se
não quiseres dizer fica à vontade para isso.
Olhei timidamente esperando a reação.
Joseph – Menina! Mas que filme fazes na tua cabecinha? Sou
famoso sim, por isso quase todos me conhecem nas ruas, até aí chegaste mas
porque nunca me perguntaste o que eu fazia? Fiquei à espera que um dia matasses
a tua curiosidade e me perguntasses. Parece que esse dia chegou finalmente. Mas
custou hem! É simples. Prepara-te. Vais comigo. Vou-te mostrar o que faço e
saberás a razão de toda a minha fama.
Dei um sorriso de orelha a orelha, levantei-me e
corri para o guarda-roupa, Joseph foi tomar banho e num ápice estávamos
prontos. Atanásio esperava-nos na cozinha como fazia todas as manhãs antes de
começar a arrumar os quartos. Em poucos minutos estávamos dentro do carro a
caminho de algum sítio que eu não sabia onde. Olhei de lado para Joseph para
tentar perceber se estava feliz por me levar com ele. Claro que estava, eu
sabia isso mesmo sem olhar para ele pois quando se sentia feliz costumava
assobiar melodias e era o que estava a fazer no momento.
Chegámos ao parque e Joseph parou. Pelos enfeites
do Parque podia-se ver que decorria um festival mas eu só tinha uma pergunta
para os meus botões – Aqui!? Porquê aqui!?
Joseph – Bom dia senhorita Brígida Tálio, tudo nos
conformes? BeAz, minha noiva, veio comigo hoje, arranjou um tempo disponível.
BeAz, esta é a senhorita Brígida Tálio, coordenadora do festival.
Esticámos a mão e cumprimentámo-nos.
Divertimo-nos um pouco pelo parque, participámos
num concurso de comer, tirámos fotos, jogámos e Joseph também fez presença
dando vários autógrafos. Montou no touro artificial, eu estava apavorada
esperando ele cair mas isso não aconteceu, pelos vistos já era experiente
nisso.
Assim que são 16:30 Joseph se dirige a um palco sem
me dizer nada. Intrigada sigo-o para ver o que ele ai fazer.
Muda de roupa coloca-se no centro do palco e fala
com o público que começa a juntar-se. Conta uma piada e todos riem. Eu
coloquei-me num dos lados do palco para passar despercebida.
A música começa a tocar alto e em bom som. Joseph
puxa de uma guitarra começa a cantar e a tocar. O povo começa a levantar os
braços e a gritar por Joseph mesmo ao meu lado. Fiquei envergonhada e sem saber
como me comportar mas ao mesmo tempo orgulhosa e Joseph. Confesso que senti
também um pouco de ciúme por ver aquela mulherada toda gritando por ele.
Mas num instante me compus. Senti a música e dei
atenção ao seu cantar, uma letra romântica. Sim, Joseph era muito romântico,
sempre o fora mas não sabia ainda o quanto. Agora sim, sentia que ele cantava
para mim. Deixei-me levar pela canção e comecei a dançar e a gritar junto com
os outros ouvintes. Atirei flores para o palco. Diverti-me imenso. Estava feliz
sim!
Joseph guardou a guitarra pegou num microfone e
começou a cantar “Novo Brilho”, essa canção eu conhecia, ele a cantava várias
vezes enquanto tomava banho. Eu fiquei a olhar emocionada.
O espetáculo acabou, todos batiam palmas, incluindo
eu. Jornalistas e fotógrafos escreviam e tiravam fotografias. Só agora eu
percebia a imensidão de pessoas à sua volta. Só agora percebia o porquê dele
ser famoso e só agora sentia por ele o valor que ele realmente merecia.
Sentia-me grata por ele me ter mostrado da forma que o fez.
Enquanto Joseph vendia alguns CDs eu conversava com
alguns espectadores que expressavam a sua opinião sobre Joseph. Alguns deles já
o seguiam de cidade para cidade só para o ouvir cantar.
Já eram 22h quando quase todos já tinham ido embora
e quando finalmente eu e Joseph nos podemos abraçar.
BeAz – Obrigada amor! Estou muito orgulhosa do seu
trabalho.
Joseph – Eu é que agradeço pela tua presença. Amo-te muito,
nunca te esqueças disso!














