Desde o Natal, Joseph não largou mais da casa do meu tio e como tal a meio da tarde da véspera do Ano Novo lá estava ele mas desta vez para nos convidar para a festa de passagem de ano que ele iria realizar em sua casa.
Alberto – Não, eu não vou, já não tenho idade para tanta festa junta, além disso quero me deitar cedo, sinto-me muito cansado, sabe a idade não perdoa.
Joseph – Então e BeAz, pode vir?
BeAz – Claro que não! Achas que posso deixar o meu tio sozinho? E se lhe acontece alguma coisa?
Alberto – De forma alguma, claro que vais, e não adianta teimar, és nova e estás na idade de te divertir, para ficares presa já basta teres de cuidar de mim.
Beaz – Mas…
Alberto – Nem mas nem meio mas, não vai ser hoje que me vai acontecer alguma coisa, apesar de ter de andar de bengala ainda me mexo muito bem.
Alberto – Vem Beaz, é por poucas horas, prometo que te trago cedo.
Quando dei por ela já ia a caminho com o pensamento no meu tio e o coração nas mãos por deixá-lo sozinho.
Chegámos rápido pois era mesmo no final da rua mesmo numa das pontas da vila. Realmente a casa era bem moderna destoando das mais restantes casa, não admira ter conseguido fazer esta construção, além de ficar nos arredores da vila também deve ter dado uma pipa de massa ao presidente da junta de freguesia, agora percebo porque também ele tem um carro moderníssimo, quase como o de Joseph.
BeAz – A casa é linda! Quem foi o arquiteto?
BeAz – Se conheço? É uma das minhas melhores amigas. Ela esteve cá há pouco tempo a passar umas férias mas já regressou a sua casa.
Joseph –Como este mundo é pequeno! Vamos então entrar, vou te mostrar a casa.
Depois de me mostrar a casa Joseph seguiu para as traseiras.
Joseph - Tenho um cavalo lindo que te quero mostrar, ele é a minha perdição, chama-se Diamante.
BeAz – É lindo!
Joseph –Omar, chega aqui, quero te apresentar a BeAz! Omar é um amigo de infância, cresceu praticamente na nossa casa, agora cuida do Diamante na minha ausência.
Omar – Olá BeAz, eu sou Omar Carlota, lembras-te de mim? Corríamos muitas vezes no meio do milho com o Joseph e com a Dulce, você lembra dela?
BeAz –sim eu lembro-me da Dulce mas de ti e do Joseph eu não me lembro – o que eu achava muito estranho porque uns olhos daqueles ninguém esquece, mas também tinha saído da vila muito nova e já se passaram alguns anos, há coisas que ficam há outras que acabam por esquecer.
Osmar – Eu gostava muito da Dulce, você sabe alguma coisa dela?
BeAz – Não, nunca mais a vi. O meu tio também já me disse que ela saiu da vila e não voltou mais.
BeAz – É muito lindo o Diamante!
Joseph –Balin também é muito linda, eu gostava de cruzar os dois, o que achas? Dariam uns belos potros!
Estávamos a dançar quando começaram a chegar os convidados.
Depois de dançarmos fomos petiscar alguma coisa.
Perto da meia noite Osmar chama-nos lá fora, ele pretendia lançar uns foguetes para dar as boas vindas ao novo ano. Nisto o meu telefone toca, era Meg e Cris para me desejarem boas entradas e um bom ano de 2012.
Achei engraçado, Osmar fez um “smile” com os foguetes.
Joseph deu-me um abraço me desejando tudo de bom.
Não quis deixar Osmar de lado e também lhe dei um abraço desejando-lhe um bom ano e antes que eu me afastasse Osmar sussurrou:
Osmar – Joseph tem um fraquinho por ti.
Joseph –Estás a falar de mim, Osmar?
Osmar –Não não, estava só a desejar a BeAz que seja feliz em 2012.
Joseph – Eu ouvi bem Osmar! Tens razão, eu estou a ficar um apaixonado!
Joseph vira a cara um pouco envergonhado. Eu meti a mão na boca e dei um sorriso para dentro, não consegui dizer nada, mas nem sei se queria mesmo dizer alguma coisa.
Entramos e fomos fazer um brinde ao ano novo.
Depois Joseph levou-me a casa, como prometido ir cedo, confesso que estava mesmo preocupada com o meu tio.
Joseph – Um bom ano para você Alberto!
Alberto –Para mim é sempre igual mas que seja diferente para ti, com muito êxito e saúde que a minha já é pouca.
BeAz – Tio, eu também quero que você tenha um bom ano mas para isso não pode deitar-se a meio da tarde e levantar-se de madrugada, a esta hora deveria estar a dormir e não começar o dia às 3h da manhã.
Alberto –Não se preocupe querida, eu estou bem.
BeAz –Vejo que sim, o que fez à decoração do Natal, deveria ficar até ao dia dos Reis.
Alberto – Fui eu que disse para o criado tirar, o Natal já passou e isso dos Reis é coisa antiga, deixa para lá já estamos num ano novo.
Que poderia eu dizer mais ao meu tio? A idade não perdoa e a mim só me restava ter paciência com ele.

















